SAÍDA #48
Viva as histórias!
Hoje escrevo a SAÍDA da poltrona de um pequeno ônibus, se deslocando em plena Patagônia. Estou com o Agustín, um guia turístico que nasceu na região e conhece — de cabeça, corpo e coração — cada pedaço daqui. E mesmo depois de 30 anos, ele ainda mantém a energia de trabalhar com brilho nos olhos. (Aguardem: ele ainda vai aparecer por aqui!)
Passeios com guias turísticos nunca fizeram muito parte das minhas programações de viagem. Mas, antes de voar para Bariloche, ainda em Buenos Aires, decidi experimentar algo diferente: passar uma tarde com uma outra guia turística. Nesse desejo de conhecer facetas mais criativas e menos reveladas da cidade, fiz um tour com a Lunfarda Travel - agência especializada em revelar histórias invisibilizadas e perspectivas culturais que normalmente passam despercebidas. A minha escolha foi o Afroargentine Tour.
Como foi a história dos africanos na Argentina? Que contribuições culturais vieram deles para esse país que conhecemos hoje? Qual foi o papel desempenhado na construção dessa identidade? E como está a sociedade afroargentina atualmente?
Essas, e tantas outras, perguntas são respondidas numa caminhada guiada pela melhor ferramenta de aprendizado que existe: as histórias.
Vivemos várias surpresas nesse passeio. Uma delas: o tango argentino. Você sabia que essa dança tem fortes origens nas comunidades africanas da região de Buenos Aires e Montevidéu? E que, na época, não era vista com bons olhos pelos argentinos, que a consideravam de pouco valor artístico? Até que os parisienses a descobriram — e se apaixonaram pela dança. Valorizaram a energia, os movimentos, a alegria e a técnica. E pronto: a Argentina passou a olhar de outro jeito. E voilà: a dança virou símbolo nacional... Que as histórias sigam vivas! E que elas não deixem apagar no tempo e na memória as raízes da cultura.
Outra surpresa: justamente nessa tarde, em que resolvemos fazer esse tour com uma amiga brasileira que mora em Buenos Aires. Descobrimos que duas pessoas do grupo estavam ali a trabalho: a jornalista Sarah Mota e o fotojornalista Hernan Zenteno, ambos do La Nacion, um dos jornais mais tradicionais do país. A Sarah me contou que estava ali pelo interesse em contar as histórias pouco contadas da cidade. E foi assim que aconteceu a minha primeira SAÍDA com cobertura de jornal, fotos profissionais e uma entrevista minha. 😅
Não consegui comprar a versão impressa na banca, mas compartilho o link da matéria em espanhol aqui.
*Para ler em português, basta usar a função de tradução do navegador — no computador, clique com o botão direito e selecione “Traduzir para o português”; no celular, abra o menu (os três pontinhos) e selecione ‘Traduzir’.
Se eu puder deixar uma dica de viagem, é esta: vá atrás das histórias. Elas guardam tesouros (não tão) escondidos, que nos ajudam a “ver o mundo desde lugares diferentes… sempre!”.
#Saideira: Ter voltado a escrever a SAÍDA me trouxe um dos melhores retornos que eu poderia imaginar. Um comentário virtual acabou se materializando em um encontro presencial.
Conheci a Anna à distância, quando dei aula na pós de Processos Criativos da PUC Minas. Foi pela tela que a admiração nasceu. Ela, uma moradora do mundo, parecia ter coordenadas difíceis de cruzar com as minhas. Mas, graças à última SAÍDA, esse encontro finalmente aconteceu.
A Anna é escritora, antropóloga, viajante, interessada. Uma observadora atenta do mundo. Faltaram horas para conversar tudo que queríamos, e abasteceu a vontade do próximo acaso que irá nos unir. Obrigada, Anna!
Com carinho,
Aída Dias












Que passeio agradável e enriquecedor Saída me proporcionou com esse texto cheio de novidades. Deu vontade voltar a Argentina e seguir nesse tour temático. Obrigada Aída por tantas informações preciosas. Aguardo ansiosa os próximos capítulos, beijos!
Que grata alegria ler seus textos de novo. Parece uma viagem que fazemos com você! Aguardando por mais Saídas!