SAÍDA #59
Viva os começadores!
“Como é bom começar. O mundo se abre ao começador como um dia de sol, uma extensão larga e plana, sem vales por descer nem montes a escalar. (…) Mal é preciso que se saiba qual será o prosseguimento; basta dar início e as coisas surgem espontaneamente, geradas pela força daquele começo, que empresta alegria a tudo que se segue”.
Noemi Jaffe, em “Livro dos começos”
Tenho vivido momentos inaugurais. Para os amigos que reencontrei recentemente, parece que, de repente, minha vida ficou movimentadíssima: no trabalho, no CEP, na rotina... Mas a verdade é que, antes de se tornarem visíveis, os começos começam muito antes de começar.
É como uma planta que, antes de se expor ao sol, vive um período muito menos glorioso, mais árduo e silencioso: o de romper a terra, criar seus próprios caminhos e firmar suas raízes. E, em um mundo que valoriza cada vez mais o externo e nos mede por aquilo que podemos não apenas mostrar, mas postar, dá para imaginar o quão difícil é sustentar esse tempo de enraizamento dos nossos sonhos.
(Aliás, essa tem sido uma analogia visual frequente em minhas conversas. Aperte o play:)
Começar também é se despedir. De fases da nossa vida, de certezas às quais vivíamos agarrados, de confortos que nos abraçavam. Como também diz Noemi Jaffe: “Para começar é preciso um salto”.
Cito a Noemi duas vezes não por acaso. Tenho lido o seu Livro dos Começos, uma obra que vem em uma caixinha, com textos curtos de até duas páginas, todos em folhas soltas e sem numeração. Como um prisma que revela as várias cores contidas na luz branca ao ser atravessado por ela, Noemi nos mostra os diferentes ângulos e aspectos do começar, num espectro que vai de “Começar é fácil” até “O começo é um suicídio”.
Essa semana começou sendo marcada pelo início da Roda Criativa. E certamente foi por isso que, entre tantas opções, eu escolhi essa para abrir a SAÍDA de hoje: “Como é bom começar"!
Afinal, nesse primeiro passo, eu tive a sorte de ter a Thaís me emprestando sua alegria para tudo que ainda vai se seguir. 💝 (Assista clicando aqui!)
E como tem um quê de simbologia e potência nos começos. Fechei a semana me despedindo do capítulo de Casa Branca, aos pés da Serra do Rola Moça. O meu CEP rural desde 2021. O local onde as raízes da Reconexão Criativa encontraram solo fértil para se desenvolverem. E agora, menos vulneráveis, já estão prontas para sobreviverem e florescerem na cidade grande. Perto do asfalto, dos teatros, dos cafés, dos museus, dos encontros, do aeroporto, da rodoviária… E nessa área da minha vida, quem me empresta sua alegria e disposição inesgotáveis para fechar e começar ciclos é o Gustavo:
Talvez a pergunta que mais recebemos nos últimos dias tenha sido: “O coração está apertado?”. E, apesar de estar deixando muita coisa boa, abundante e natural para trás, escolhi não girar meu pescoço nessa direção, mas sim olhar para a frente. Embora eu não consiga enxergar com a mesma nitidez que vejo o que já foi vivido, enxergo uma única certeza, e é só a ela que consigo seguir agora: “uma outra vida me espera”. E quem me presenteou com essa reflexão foi a Nat, com o episódio dessa semana do seu podcast “Para Dar Nome às Coisas”. Compartilho aqui com você, com o desejo que ele também te encontre numa boa hora:
Nesse episódio, a Nat fala sobre não compartimentarmos nossa vida em caixinhas diferentes, mas sim de tratá-la como um projeto. Fico feliz por estar conseguindo criar uma vida que faz cada vez mais sentido para mim, indo na contramão de muitas regras e expectativas que me foram dadas.
Mas isso também teve um início... E certamente quem me ajudou a plantar essa sementinha, desde o meu começo aqui no mundo, foi o meu pai. Então, encerro hoje, neste domingo de Dia dos Pais, agradecendo a ele: pela semente plantada, pela terra adubada e por ter feito da própria vida um projeto prático sobre valer a pena valorizar o que nos sensibiliza e nos reconecta. A ele, que me ensinou a valorizar a arte e que domina a arte de viver.
Viva os começos e àqueles que dão apoio e coragem aos começadores!
#Saideira: E para quem ainda não assistiu, te convido a viajar comigo para Brasília, nesse episódio que foi nosso último destino na Reconexão Criativa:
Com carinho,
Aída Dias






Bom ouvir você. Pena que fica faltando aquele abraço apertado. Vá em frente. Você tem garra, vontade e talento. Coisa rara ter os três ao mesmo tempo. E por falar em tempo só lamentamos o tempo perdido. Aproveite cada minuto. Na cidade há esconderijos, pessoas e coisas que podem ser desvendadas. Eu me lembro do tempo das eleições e ir de casa em casa, pedir votos e ao mesmo tempo, compreender as pessoas e a cidade. Cidade que tem avesso. Mergulhe e aprenda.
Como sempre seus textos me emocionam. E o encerramento desse, homenageando seu pai com um apoiador de uma grande começadora como vc, me pegou de surpresa. Que lindo! Que privilégio para ambos estarem juntos nessa vida.
Como bem disse a Vera, segue! Você tem preciosidades raras reunidas. Desfruta de cada cantinho da cidade, da vida e de você mesma.